Orientações aos Serviços de Saúde e a População em situação de inundação.
(Retirado do Plano de Contingência de Vigilância em Saúde frente à inundações/SVS/MS e Nota de Orientação DIVE).
As experiências mostram que as principais ocorrências epidemiológicas após as inundações são: os
traumatismos (afogamentos, lesões corporais, choques elétricos, etc.), os acidentes por animais
peçonhentos e o aparecimento de surtos de doenças infecciosas, particularmente a leptospirose, e de
doenças de transmissão hídrico-alimentar. Os traumatismos ocorrem ao longo de todas as fases da
inundação, variando apenas quanto à sua natureza.
Os surtos de leptospirose costumam ocorrer imediatamente após a inundação (na primeira semana),
quando as águas ainda estão baixando ou quando as pessoas retornam às suas residências e procedem
à limpeza das casas. O período de incubação vai de 1 a 30 dias após o contato com o agente infeccioso,
a leptospira, a qual é eliminada através da urina dos ratos urbanos e mantida viável na água e na lama
das enchentes. Portanto, deve-se estar alerta à possibilidade de ocorrência de casos e surtos de
leptospirose nas quatro ou cinco semanas que se seguem ao fim da inundação, com o descenso total das
águas.
Com relação às doenças de veiculação hídrica e alimentar, a cólera e as demais doenças diarréicas
agudas têm período de incubação curto, variando de algumas horas a até cinco dias.
As hepatites A e E apresentam período de incubação médio de 30 dias, podendo apresentar–se como
conseqüências mais tardias das inundações.
Além desses agravos, espera-se que a aglomeração humana observada nos abrigos coletivos
predisponha à ocorrência de doenças de transmissão respiratória, como pneumopatias e meningites.
Orientações Técnicas às Gerências Regionais e Secretarias Municipais de Saúde
Com a ocorrência de inundações emerge a preocupação com o aparecimento de doenças. Neste sentido
orientamos os municípios quanto às possíveis conseqüências das enchentes relacionadas à ocorrência
das doenças transmissíveis, e quanto às medidas de controle pertinentes a cada situação.
Cuidados com alimentos e medicamentos
1. A segurança sanitária dos produtos ofertados para consumo da população é um dos desafios da
Saúde Pública. Por isso, a Vigilância Sanitária, coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde,
no conjunto de suas ações de controle na área de alimentos e medicamentos, prioriza a
uniformidade das orientações quanto ao consumo desses produtos.
2. Em decorrência do estado de calamidade pública pelas fortes chuvas provocando enchentes e
deslizamentos de terra em nosso Estado, é de primordial importância a não ingestão de
alimentos, água e medicamentos que tiveram contato com as águas ou que ficaram soterrados.
3. As ações prioritárias da autoridade de saúde para prevenir e interromper as doenças é orientar a
população quanto:
· Todo alimento em qualquer tipo de embalagem que entrou em contato com água da chuva, ou
foram soterrados deve ser descartado, inclusive os enlatados;
· Todo alimento que exige conservação por refrigeração e cujo equipamento
(geladeira/freezer), ficou sem abastecimento de energia elétrica ou entrou em contato com
água da chuva deve ser descartado;
· A água para consumo humano somente poderá ser utilizada após tratamento;
· Nos casos de utilização de água por abastecimento alternativo, a população deverá ser
orientada quanto ao tratamento a ser realizado com a mesma: solução de hipoclorito na
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concentração de 2,5 % na proporção de 2 gotas para cada litro de água. Deixar descansar por
30 (trinta) minutos e está pronta para consumo.
· Devem ser descartados todos os medicamentos que tiveram contato com águas ou ainda que
ficaram soterrados, mesmo que este contato tenha atingido apenas a embalagem secundária
(caixa) ou que o aspecto deste medicamento esteja aparentemente normal.
· Medicamentos que necessitam de refrigeração e que tiveram esta condição descontinuada
pelo corte da energia elétrica também devem ser descartados.
· A auto medicação, e ingestão de alimentos que tiveram contato com água ou estiveram
soterrados não pode acontecer. No caso de suspeita de doenças ocasionadas pela enchente
procurar auxílio médico.
1) Leptospirose:
Uma das principais ocorrências epidemiológicas após as inundações é o aparecimento de surtos de
leptospirose, transmitida aos seres humanos pelo contato com água ou lama contaminado pela urina de
animais portadores, principalmente roedores domésticos (ratazanas, ratos de telhado e camundongos).
Este contato ocorre durante e imediatamente após as enchentes, quando as pessoas retornam à suas
residências e procedem à limpeza e remoção da lama e outros detritos.
Todos os municípios atingidos por inundações devem ficar em alerta para a ocorrência da
leptospirose, disseminando informações técnicas para os serviços de saúde e alertando a
população acerca dos mecanismos de transmissão e das ações de prevenção e controle. O
objetivo primário é garantir que a suspeita diagnóstica, os exames sorológicos e o tratamento
sejam instituídos precocemente, visando à redução da mortalidade por esta doença, além de
diminuir ao máximo a exposição da população posteriormente.
Não existe uma vacina eficaz e disponível comercialmente contra a leptospirose, mas por ser uma doença
tratável, a ação oportuna das secretarias municipais de saúde pode evitar muitos óbitos e prevenir em boa
parte o surgimento de novos casos.
Considerando a ocorrência de fortes chuvas em grande parte do estado a Diretoria de Vigilância
Epidemiológica, orienta os municípios quanto à possibilidade de ocorrência de leptospirose e as medidas
de controle pertinentes.
O contato com água ou lama contaminado pela urina principalmente roedores domésticos (ratazanas,
ratos de telhado e camundongos), ocorre durante e imediatamente após as enchentes, quando as
pessoas retornam à suas residências e procedem à limpeza e remoção da lama e outros detritos.
As Secretarias Municipais de Saúde devem:
· Alertar todos os serviços de saúde do município quanto à probabilidade de ocorrer um surto de
leptospirose.
O período de incubação da leptospirose vai de 1 a 30 dias após o contato com o meio de transmissão
(água de enchentes) e o agente infeccioso. Os sintomas variam desde febre alta, cefaléia, dores
musculares, até quadros mais graves, podendo ocorrer icterícia (coloração amarelada em pele e
mucosas), insuficiência renal, hemorragias e alterações neurológicas, com altas taxas de letalidade.
Em situações de enchente (cujo alerta deve permanecer até 40 dias após a baixada das águas), a
definição de caso indicada é:
“Indivíduo que apresenta sinais e sintomas de processo infeccioso inespecífico (febre, cefaléia e mialgia) e
agudo, e que tenha sido exposto a água ou lama de enchente nos últimos 30 dias anteriores à data de início
dos sintomas.”
Todo paciente que se encaixe nesta definição deverá receber tratamento com antibiótico adequado, ser
registrado no sistema de vigilância através do preenchimento da Ficha de Notificação e Investigação de
Leptospirose, e submetido à coleta de amostra sangüínea (coletar depois de 7 dias a partir dos
primeiros sintomas) para exame sorológico de leptospirose (Guia de vigilância epidemiológica
http://www.saude.gov.br/svs).
Casos que apresentarem também outros sinais e sintomas, considerados SINAIS DE ALERTA, como
alterações do volume urinário, hipotensão, icterícia, Todos os municípios atingidos por inundações devem
ficar em alerta para a ocorrência da leptospirose, disseminando informações técnicas para os serviços de
saúde e alertando à população acerca dos mecanismos de transmissão e das ações de prevenção e
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controle. O objetivo primário é garantir que a suspeita diagnóstica, os exames sorológicos e o tratamento
sejam instituídos precocemente, visando à redução da mortalidade por esta doença, além de diminuir ao
máximo a exposição da população posteriormente.
Sangramentos ou alterações neurológicas deverão ser encaminhados imediatamente para uma unidade
hospitalar de referência.
Indica-se o acompanhamento de casos suspeitos e confirmados através de planilhas, que podem ser
diárias ou semanais, de acordo com a velocidade no surgimento e a quantidade de casos novos. Estas
planilhas permitem a observação da tendência da epidemia (população afetada, distribuição por sexo,
idade, local de residência, hospitalização, exames laboratoriais, etc.).
A ocorrência de casos acima do esperado pelo município deve ser comunicado às GESAs, que por sua
vez deverão comunicar ao nível central.
· As equipes de vigilância epidemiológica e de saúde da comunidade (saúde da família, agentes
comunitários, agentes de endemias) devem vistoriar as áreas atingidas pela inundação. Esse
procedimento tem como objetivo determinar as características da área, a população atingida, a
busca ativa de casos, encaminhamento de suspeitos e desencadeamento das ações de
comunicação e educação em saúde.
· Após as águas baixarem, deve-se proceder à limpeza da lama residual das enchentes e à
desinfecção de domicílios com solução de água sanitária (hipoclorito de sódio), diluída em água, a
qual mata as leptospiras, diminuindo de maneira considerável as chances de infecção pela
mesma.
2) Doenças de Transmissão Hídrica:
Freqüentemente as enchentes levam a contaminação das redes públicas de abastecimento, pela entrada
de água poluída nos pontos de vazamento da rede, além da interrupção temporária das atividades das
estações de tratamento. Como o consumo de água é uma necessidade básica, muitas vezes a população
acaba utilizando água contaminada, expondo-se ao risco de diarréia, cólera, febre tifóide, meningites por
enterovírus e hepatites A e E. A cólera e as demais doenças diarréicas agudas têm período de incubação
curto, variando de algumas horas a até 5 dias. O período de incubação da meningite por enterovírus é em
média de 3 a 4 dias, da febre tifóide é, em média, de 15 dias e das hepatites A e E é de 30 dias, podendo
vir a ser conseqüências mais tardias das inundações.
As Secretarias Municipais de Saúde devem:
· Evitar que a população consuma água inadequada, através da adoção de medidas emergenciais,
tais como: educação em saúde e distribuição de hipoclorito de sódio a 2,5% para desinfecção da
água para beber e para cozinhar. Outros produtos a base de cloro, autorizados para o tratamento
da água e registrados no Ministério da Saúde, poderão ser utilizados, observando-se atentamente
as orientações contidas no rótulo do produto;
· Orientar o tratamento da água para consumo humano por meio da ebulição (fervura), durante 1 ou
2 minutos. Este método de desinfecção é eficaz, mas pouco acessível, na prática, às condições
da maior parte da população. Por ser um procedimento oneroso, recomenda-se em situações de
urgência e na falta de outro método de desinfecção, como por exemplo, a cloração;
· Orientar que o acondicionamento da água já tratada seja feito em recipientes higienizados,
preferencialmente de boca estreita, para evitar a contaminação posterior pela introdução de
utensílios (canecos, conchas, etc.);
· Intensificar o monitoramento da qualidade da água para consumo humano das áreas atingidas;
· Orientar as pessoas que estão em situação de risco (em alojamentos) a intensificar os cuidados
com a higiene pessoal e com os alimentos;
· Alertar os serviços de saúde para a possibilidade de ocorrência de surtos de diarréia, além de
garantir, junto à Secretaria Estadual de Saúde, os meios para diagnóstico e tratamento dos casos.
Recomenda-se a coleta de swab retal/fecal em cerca de 10% dos casos de diarréia, atendidos
nas unidades de saúde, para identificação dos possíveis agentes etiológicos se possível;
· Acompanhar, se possível diariamente, a monitorização das doenças diarréicas agudas (MDDA)
para a identificação de mudanças no perfil epidemiológico das diarréias nas áreas afetadas;
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· Estar em alerta para a possibilidade de ocorrência de surtos de hepatites, garantindo os meios
para o diagnóstico e tratamento dos casos;
· As vacinas contra a febre tifóide disponíveis não têm indicação pela baixa eficácia. Além disto, as
experiências do país têm demonstrado uma diminuição do risco de ocorrência de febre tifóide nas
situações de inundação, possivelmente pela maior diluição das bactérias.
3) Doenças de Transmissão Respiratória:
O deslocamento da população de suas residências e a estada temporária em alojamentos e abrigos, com
uma grande quantidade de pessoas convivendo em um mesmo espaço, podem favorecer a disseminação
de doenças de transmissão respiratória.
As Secretarias Municipais de Saúde devem:
· Orientar os responsáveis pelos abrigos para que se mantenham em alerta no sentido de
encaminhar para assistência médica imediata todos os casos de síndromes febris que possam vir
a ocorrer na população sob sua responsabilidade.
· Alertar os serviços de saúde para a possibilidade de ocorrência de casos ou surto de doenças de
transmissão respiratória com ênfase à suspeição de casos de difteria, coqueluche, influenza,
meningites bacterianas, varicela, doença exantemática, tuberculose e caxumba.
· Os serviços de saúde locais, com a maior brevidade possível, deverão avaliar a situação vacinal
da sua comunidade de abrangência através da identificação e busca de faltosos bem como de
grupos expostos aos riscos gerados pela situação e completar o esquema de vacinal, conforme
calendário preconizado pelo Ministério da Saúde de crianças, adolescentes, adultos e idosos.
· Verificar o estado vacinal de todos os trabalhadores de saúde, defesa civil e limpeza urbana,
visando à atualização do esquema de vacinas de acordo com o calendário de vacinação do adulto,
vigente em todo o país.
4) Atenção para ocorrência de Tétano
As inundações propiciam a ocorrência de acidentes com ferimentos, levando ao aumento do risco de
contaminação pelo bacilo do tétano, o qual está presente na natureza, no solo, na poeira e nas fezes de
alguns animais.
As Secretarias Municipais de Saúde devem:
· Prover condições para que todas as pessoas, crianças e adultos, que sofrerem ferimentos venham a
receber criteriosa avaliação clínica por profissional de saúde capacitado, com os cuidados
necessários de limpeza e antissepsia.
· Prover os hospitais com soro antitetânico ou imunoglobulina específica para prevenção ou tratamento
dos casos de tétano conforme esquema de condutas profiláticas de acordo com o tipo de ferimento e
situação vacinal. (figura em anexo)
· Os serviços de saúde locais, com a maior brevidade possível, deverão avaliar a situação vacinal
contra o tétano da sua comunidade de abrangência através da identificação e busca de faltosos bem como de grupos expostos aos riscos gerados pela situação (trabalhadores de saúde, defesa civil e
limpeza urbana e outros) e COMPLETAR o esquema vacinal contra o tétano.
Importante: não se recomenda a vacinação em massa ou indiscriminadamente contra o tétano emsituações de inundação. Iniciar a vacinação contra o tétano e aprazar as próximas doses, para completar
o esquema básico visa proteger contra o risco de tétano por outros ferimentos futuros.
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